
As aproximações minimalistas no cinema tendem a dividir o público - porém são poucos os filmes cujas restrições são tão extremas, que seus estilos acabam se confundindo com algum erro técnico. Ouvi falar de dois casos nos quais as exibições de Tiro na Cabeça foram canceladas, porque o projecionÃsta achou que a trilha sonora estava incompleta; quem poderia explicar as conversas que duram minutos à fio enquanto o que se escuta ao fundo é o barulho da ruas?
De fato, esse é o conceito principal do filme; em retratar o cotidiano de um homem que conduz a um tiroteio violento, a câmera adota a perspectiva implÃcita de uma equipe de vigilância escondida. Observamos o seu comportamento em lentes de longa distância, em ruas movimentadas ou através das janelas de sua casa - mas tudo o que ouvimos é o som da locação externa da câmera, e não os personagens.
Quando a abordagem minimalista funciona é porque, negando-nos o conforto, nossa visão é expandida de outras maneiras. Tiro sucede este nÃvel a um tal nÃvel de extensão, com a ausência de contexto e diálogo, que nos força a vasculhar cada frase e nuances de comportamento em busca de pistas e como resultado podemos dar mais atenção ao que nos é dado. Mas, considerando a inspiração do filme - que embora em nenhuma parte seja aludido, o filme é realmente baseado em um tiro real envolvendo separatista bascos e a polÃcia espanhola - estes parecem ser pequenos dividendos em uma obra que curiosamente é cortada das questões maiores, das quais se aplica.
Donal Foreman