
Seus filmes foram selecionados para os mais importantes festivais como Cannes e Veneza. Ela está no festival com dois títulos – Os Famosos e os Duendes da Morte, e Insolação.
Muito embora esta produtora independente esteja na ativa desde 1993, não há nela nenhum sinal de esgotamento. Ela ainda tem o mesmo desejo de fazer bons filmes como no início dos anos 90. Inicialmente foi muito difícil, porque ela não teve que lutar apenas contra os distribuidores que só queriam filmes comerciais mas também contra o presidente Collor de Mello, que na época não deu nenhum apoio aos produtores de cinema. O mais estranho foi quando um amigo lhe propôs a idéia de criar uma nova produtora de cinema; ela não achou que fosse uma boa idéia porque nunca tinha trabalhado com nada ligado ao mundo do cinema.
Depois de alguns anos, seu trabalho se tornou mais bem conhecido. Um exemplo disso foi o filme La dignidad de los nadie, que ganhou cinco prêmios, incluindo três em Veneza. Desde então ela desenvolveu dez filmes, entre eles alguns com boa recepção de público, como El bicho de sete cabeças, que ficou em cartaz por mais de um mês.
“Eu sou uma produtora de filmes de autor. Eu não gosto de chamá-los de filmes de arte porque soa meio arrogante.” Essa é a maneira com que Sara modestamente apresenta seu seu trabalho. Para aqueles que consideram seus filmes “difíceis”, ela diz que gosta de fazer filmes que são questionadores, que nos fazem pensar sobre o que acabamos de ver. Embora eu tenha visto apenas dois de seus filmes, eles foram suficientes para confirmar que se deve de fato assisti-los com a mente alerta e os olhos bem abertos.
Contudo sua opinião sobre filmes comerciais é melhor do que muita gente poderia imaginar. Para ela, esses tipos de filmes são necessários porque sem eles o filme de autor não poderia existir: um precisa do outro para sobreviver. Não se trata de não gostar dos filmes de grande sucesso comercial, na verdade, há muitos desses filmes em sua lista de imperdíveis. Se é assim, porque ela não produz alguns? É claro que se alguém me propusesse fazer um filme mais comercial, eu o faria. Mas há algo especial sobre os filmes que eu faço. Talvez seja a energia que faz parte de minha personalidade.
Produzir nessa área do cinema é difícil, e se você estiver fazendo isso no Brasil, é ainda mais difícil. “Uma coisa é produzir um filme, mas o mais difícil é distribuí-lo. Como meus filmes são de difícil compreensão, se torna ainda mais difícil exibi-los para o grande público”. Nos dezesseis anos de experiência que ela acumulou em sua área, alguns dos filmes que ela fez jamais foram exibidos. Por exemplo, há dois curtas-metragens que ela tentou mostrar no Festival de Cinema do Rio mas não foram aceitos. Muitas vezes não é fácil, porque os filmes estão lá para serem vistos, ela afirma.
Os filmes que ela produz são completamente diferentes um do outro. Os Famosos e os Duendes da Morte é bastante dramático, uma história sobre adolescentes e seus problemas. A comédia romântica Elvis e Madonna mostra o mundo das lésbicas e travestis do Rio. “Se você me perguntar como eu escolho meus filmes… não há nada específico. Eles precisam apenas ter boas histórias e falar de coisas que interessam.” Sua voz é tão cheia de vida que você se sente quase hipnotizada por ela.
Depois que a entrevista terminou, extra-oficialmente Sara me diz que está atualmente trabalhando em um outro projeto. Eu pensei comigo mesmo, um outro filme? Será que esta senhora nunca descansa?“ Mas como você talvez já tenha compreendido, ela ama seu trabalho, e quando você ama o que faz, nunca há o suficiente.
Jorge Robinet