
François Ozon já demonstrou seu carinho especial para com o suspense hitchcockiano na magistral comédia burlesca 8 Women e no intrigante thriller Swimming Pool. Sua última obra, um conto de fantasia e drama social tudo-em-um, continua nesse caminho, embora de uma maneira um tanto inesperada.
Inspirado por um conto do autor Inglês Rose Tremain, Ricky conta a história de uma famÃlia comum apanhada em circunstâncias extraordinárias. A primeira parte, se for um pouco prolongada, dá um retrato habilmente realista da classe trabalhadora em uma cidade industrial do norte francês, lidando principalmente com os temas do isolamento, do amor e do estranhamento. A segunda parte, muito mais dinâmica, mas também muito mais desconcertante, toma um rumo completamente diferente, deixando os espectadores chocados e encantado ao mesmo tempo.
A impressão geral é de um vigor artÃstico considerável junto com brincadeiras infantis, já que o diretor faz uso de sofisticados efeitos especiais. Desempenhos convincentes dos atores principais, Alexandra Lamy, Sergi López e Mélusine Mayance, são adicionados ao deleite do espectador.
Infelizmente, porém, às vezes parece que a metamorfose kafkiana que faz de Ricky assim tão "diferente" não traz nenhuma dimensão mais profunda para o filme - mas é certamente o objetivo de Ozon. È como se o diretor, no turbilhão de efeitos especiais, tivesse se esquecido que o destino incomum do bebê deve ser um meio e não um objectivo em si.
Dominika UhrÃková