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Página de abertura do sítio > In Focus > O Culto à Asterix (29 de Setembro de 2009)
In Focus
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O Culto à Asterix

 

Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Lelouch: estes nomes são provavelmente os primeiros que veem à mente quando se fala em cinema francês. Mas eles estão longe de serem os representantes de toda a produção cinematográfica do país. Certamente não seria tão absurdo dizer que filmes de arte na França são – assim como em todos os lugares – mais uma exceção do que regra.

É importante mencionar The Transporter, Taxi 4 ou Bienvenue chez le Ch’tis como algumas das maiores bilheterias francesas do novo milênio. E não apenas as maiores bliheterias, mas também os mais desprezados pelos críticos de cinema. E ainda na onda da crítica, os três filmes tem ainda outro fator em comum: todos ganharam o prêmio Gérard du cinéma, versão francesa do Framboesa de Ouro. Outro fime, não menos rejeitado, que ostenta tanto três Framboesas quanto recordes nas bilheterias é Asterix nos Jogos Olímpicos, de Frédéric Forestier e Thomas Langmann.

Estrelando Alain Delon e Gerárd Depardieu, mas também Michael Schumacher e Zinedine Zidane, este lançamento de 2008 foi o filme francês mais caro de todos os tempos. Apesar do jornal L’Express ter o descrito como “lixo”, ele atraiu milhões de telespectadores pelo mundo. Também é fato que Asterix teve uma recepção mais positiva na Europa, e especialmente na França, do que fora do continente. Do montante arrecadado no valor de 90 mi, apenas 700 mil vieram dos bolsos americanos. Então, o que há por trás dessa febre por Asterix na França e nos países vizinhos?

Tudo começou há 50 anos, quando o humorista René Goscinny e o ilustrador Albert Uderzo publicaram uma tira em quadrinhos chamada “Asterix, o Gaulês” na revista Pilote, em 29 de outubro de 1958, no mesmo dia em que o periódico começou a circular. Desde então, 33 livros foram lançados e traduzidos em cerca de 100 idiomas. O sagaz Asterix, seu forte, porém nada esperto, amigo Obelix e seu fiel companheiro de quatro patas Dogmatix imediatamente conquistaram os corações franceses. Se foi uma questão de sorte ou talvez um resultado inevitável do humor fresco das tiras, isso ainda é um produto de curiosidade popular ou de trabalhos de escola.

Seja o que for, a bola de neve começou a se formar. A primeira de suas famosas aventuras, passada numa vila gaulesa que resistia aos invasores romanos – graças a uma poção mágica – foi transformada em um filme de animação em 1967. Três décadas depois, o primeiro filme com atores reais, Asterix and Obelix Contra César, foi lançado em 1999. Este fime, assim como suas duas sequências, Asterix and Obelix: Missão Cleópatra e Asterix nos Jogos Olímpicos, foram para o topo das bilheterias por todo o velho continente, mas as audiências além-mar manteve-se à parte do seu sucesso, assim como os gauleses quanto à expansão romana.

Esta é provavelmente uma das razões porque o Festival do Rio decidiu celebrar o 50 aniversário deste pequeno guerreiro gaulês com exibições de algumas de suas histórias mais populares. Naturalmente, é difícil pra um europeu que nasceu vendo a imagem de Asterix a cada esquina adivinhar se ele vai conquistar a audiência local. De qualquer forma, essa vai ser, sem dúvida, uma boa oportunidade pra experimentar o típico charme francês.

Dominika Uhríková

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