
Este filme gerou alguma controvérsia devido à forma com que um sÃmbolo polÃtico tão importante quanto Che Guevara foi retratado. O que significou para você interpretar Inti Peredo, o mais querido guerrilheiro de Che? A primeira coisa que Soderbergh nos disse foi que tÃnhamos sorte por fazer uma história maior que nós mesmos. Como um ator boliviano, foi uma incrÃvel experiência poder participar de um filme tão honesto sobre a história de Che. Foi um grande desafio dar corpo a Inti Peredo, talvez um dos poucos que compreendeu o conceito de revolução de Che. Uma revolução que é uma atitude de vida. Eu comecei a investigar a vida de Inti Peredo e descobri que nos relatos de guerrilha, Che sempre falava carinhosamente dele.
Che, O Argentino, a primeira parte do filme de Soderbergh de alguma forma se distancia da imagem de Che na América Latina. Você acha que este filme procura reforçar ainda mais o mito de Ernesto Che Guevara? Na BolÃvia se pergunta da vida de Che desde a infância. Eu cresci com a imagem de Che nos muros de minha casa. Hoje, sua imagem é largamente usada; bandas de rock como Rage Against the Machine a popularizaram. Nesse sentido, sim, Che é um mito popular, como o Super-Homem. As pessoas dizem que este filme está de acordo com a ideologia de Fidel Castro. Eu discordo dessa opinião. Steven Soderbergh é um americano que faz filmes. Ele é brilhante e adora o que faz. Alguém que retratou Che como um homem do povo, comum. O que eu adoro a respeito deste filme é que ele não insiste na exploração da imagem de Che.
O que este filme representa em sua carreira internacional como ator? Este filme foi um golpe de sorte. Trabalhar com um diretor como Steven Soderbergh abre as portas para o mundo. Eu aprendi muito com este filme. O filme me deu a oportunidade de continuar a trabalhar fora da BolÃvia. Em 2008, o diretor peruano Javier Fuentes-Leon me escolheu para estrelar Contracorriente que acabou de ser apresentado no Festival de Cinema de San Sebastian.
Mary Carmen Molina Ergueta