
Como você começou o processo criativo deste filme?
Marcelo Gomes: Nós fizemos uma viagem de quase 2 meses filmando imagens […] filmamos em vários formatos, Super 8, instantâneos, 16 mm, vÃdeo, depois assistimos várias vezes e discutimos durante anos. Karim fez realizou seus filmes, e eu os meus. Depois disso, resolvemos ficar juntos de novo, porque amamos essas imagens, e queriamos resgatar a mesma sensação que tivemos durante a viagem.
Karim Ainouz: Nós gravamos a maior parte do filme em 1999, e algumas imagens são deste ano. Usamos também algumas fotografias tiradas por volta de 2006. O processo foi mais o trabalho de um coletor, roubando imagens, gravação de sons. Nós tivemos a intuição de que poderia se tornar um filme, mas o principal objetivo da viagem era não pensar no filme que poderia ser.
Eu li que o filme foi uma resposta à s novas mÃdias, como a Internet, o que esta contaminando o cinema. Como você desenvolveu essa idéia?
KA: Eu penso mais sobre a idéia de uma revista. Poucos anos atrás era escrita à mão, em seguida, datilografada, agora temos os blogs, fotoblogs, videologs, mas tudo são apenas diferentes formatos das revistas. O mais influente para nós foi o clássico e hardcore álbum de fotografias fÃsico.
MG: Sim, em 1999 o álbum de foto nos influenciou muito, mas como artistas do nosso tempo, também somos influenciados por coisas que aconteceram durante esses 10 anos. Acho que essa é a única coisa surpreendente sobre este processo: o filme foi terminado em 2009, mas tem influências de uma década!
KA: Eu acho que o filme foi perversamente influenciado pela Internet: algo que é um mistério para mim é por que você tem um blog? Eu não entendo porque você está publicando sua vida Ãntima, publicamente. Nosso filme é como um diário roubado, que é completamente diferente de um diário público. É mais como um álbum de fotos antigas que você manteve e, em seguida, abriu e colocou na Internet.
Como foi a experiência de trabalhar lado a lado?
MG: Nós trabalhamos juntos durante a filmagem, o script e a edição … e lutamos a cada dia! Foram vôos muito criativo, o processo criativo é a discussão. Nós compartilhamos o mesmo gosto em filmes, as mesmas idéias sobre cinema, partilhamos o nosso desejo de fazer filmes que vai fazer você feliz, fazemos filmes para falar com as pessoas.
Por que Acapulco na parte final?
KA: Quando acabamos discutindo o roteiro, pensei: "Eu quero que esse cara mergulhe". De alguma forma, surgiu com a idéia de Acapulco. Foi essa idéia, precisamente, que querÃamos expressar. Um mergulho, refrescante, em águas claras. Se você vai a uma cachoeira, quando você sai dela você está realmente reenergizado. A água é a melhor imagem para traduzir o sentimento de refresco.
Laslo Rojas