
Seu primeiro projeto foi Ato II Cena 5, realizado dentro da universidade paulista FAAP, onde o diretor acredita terem acontecido os “primeiros encontros, que me possibilitaram iniciar minha carreira no cinema”. De fato, este curta-metragem, que investiga as linguagens do cinema e do teatro, foi realizado com parceria com outro jovem diretor, Rafael Gomes, com quem Esmir assinou em seguida o vídeo Tapa na Pantera, hit absoluto na Internet, com mais de dez milhões de acessos.
O diretor não parou de experimentar, passando por pequenos exercícios de gênero, como Vibracall (em que conta um história sem diálogos nem ações dramáticas, apenas com o poder sugestivo da função vibratória de um telefone celular), e uma imersão no universo do musical e do conto com o premiado Ímpar Par, seguindo a filosofia de “cada sapato tem seu par”, ou seja, a cada um sua alma gêmea. Ele justifica seu gosto pelo universo onírico: “Sempre gostei de criar histórias e escrever contos durante a adolescência. Essa paixão por histórias se intensificou quando eu tomei contato com o cinema durante a juventude. Um filme que me marcou muito foi Noites de Cabíria, do Fellini, talvez o primeiro filme de arte que eu vi. Foi aí que escolhi estudar cinema na universidade e transformar minhas palavras escritas em imagens.”
Dois outros curtas-metragens serviram a consolidar sua carreira: Alguma Coisa Assim, vencedor do prêmio de melhor roteiro no festival de Cannes, e Saliva, também foi apresentado no mesmo festival e que, no Brasil, recebeu o prêmio de melhor diretor pelo festival de Gramado. Em comum, esses trabalhos abordam o tema da adolescência, seja pela descoberta da (homo)sexualidade no primeiro, seja pela tensão do primeiro beijo narrado no segundo. “Eu estou muito ligado ao universo do adolescente, pois trata-se de uma época onde estamos descobrindo muitas coisas sobre nós mesmos e aprendendo a lidar com nossos desejos e sentimentos escondidos. Me encantam os ritos de passagem. Entrar na mente da criança e do adolescente, revelando seus desejos mais íntimos e expondo suas fragilidades. Sempre de forma poética e onírica.”
O longa Os Famosos e os Duendes da Morte vem dessa predileção pelo tratamento onírico da adolescência. Nele, um garoto do sul do país convive com as dificuldades da descoberta da sexualidade, da perda do pai, e com a tentação do escapismo via Internet, via uma garota misteriosa com quem conversa, via canções de Bob Dylan ou mesmo através do suicídio, ameaça constante da narrativa. Somem a alegria de Vibracall e Ímpar Par, entra em cena um cenário melancólico, sombrio e marcado pela falta de comunicação.
A assessoria de imprensa do filme havia anunciado que o filme representaria uma maneira nova de mostrar o país, longe “das caricaturas nacionais, do crime, da favela e do samba”. Quando confrontado com esta escolha delicada de abordar seu trabalho, Esmir é categórico: “[Estes temas] simplesmente não me interessam no momento. O Brasil é um país muito grande, com muita história para contar. As tradições e culturas das diversas regiões do Brasil são muito diferentes entre si. Então, como criar uma identidade brasileira dentro do cinema nacional? Impossível.” Quem quiser então conferir esta outra visão do Brasil, assim como esta outra visão da adolescência, poderá conferir o singular Os Famosos e os Duendes da Morte.
Bruno Carmelo