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Página de abertura do sítio > Interview-Portrait > Diálogos: Ilda Santiago e Jay Weissberg (4 de Outubro de 2009)
Interview
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Diálogos: Ilda Santiago e Jay Weissberg

 
by Silviu Pavel

Ilda Santiago, a diretora do festival, e Jay Weissberg, o famoso crítica da Variety, se encontram para um papo amigável onde falaram da paixão de ambos por cinema e sobre os desafios da produção independente de cinema.

Fala-se que os festivais podem ser maratonas cansativas, mas deve continuar a haver sempre aquele emoção. Vocês amam o cinema e não se dão ao luxo de não estar nos festivais…

Ilda: Acho que os festivais são como bolhas. Gostamos ou da sua atmosfera ou de outro aspeto – é isso que nos escolher estarmos lá. Tem a ver com a energia de cada um. Mas também conta a programação, como aqui que apresentamos uma seleção de filmes brasileiros e da América Latina. Essa é nossa especialidade. Penso que cada festival cria a sua especialidade. O público e a imprensa fica completamente viciado nessa adrenalina, como que uma droga. Cada vez que retorno de um festival digo sempre que nunca mais lá volto e depois meu marido pergunta se há alguma coisa parecida como os alcoólicos anónimos para os diretores dos festivais.

Jay: Creio que é o mesmo para o público frequentador de festivais. Comigo é um pouco aquela coisa: acabei de chegar de um festival, vou estar apenas uma semana em minha casa e depois tenho de voltar para outro – será que quero voltar a viajar? De uma certa maneira, você não quer, mas quando estamos lá acabamos por gostar ou, em caso de não ir, fico sempre com receio de ter perdido aquele filme que estava com expetativa. Concordo contigo, Ilda: é como uma droga! Ficamos sempre pensando num festival quando acabamos por não ir.

Ilda: E fico mesmo pensando que é uma dependência quando percebo que estive vendo filmes nestes últimos meses em regime de non-stop, todo o dia. A verdade é que não viciada no festival, sou viciada em cinema. No fim do festival me apetece ir direta para o cinema para assistir a um filme. Aí sim percebo que sou viciada em filmes.

Jay: Você nunca desliga.

Ilda:Por vezes penso e se as pessoas deixam de me enviar DVD’s? Mesmo aqueles que são ruins…Mesmo esses eu gosto de assistir. É vício!

Jay: Sim, é vício!

Se vocês trocassem a vossa posição na indústria e se tornassem produtores nos próximos anos, que filme vocês gostariam de produzir?

Ilda: Depende da ideia pessoal de cinema. Se tivesse dinheiro pensaria duas vezes antes de o gastar. O produtor claro que não joga o dinheiro para o ar. Qualquer um espera retorno. O produtor tem um ponto de vista que espera retorno… Não sei onde investiria mas seguro que estaria mais aberta a narrativa e tentaria evitar histórias banais.

Jay: Procuraria por novos cineastas que estão trabalhando numa linha para além daquilo que é mais crónico. No cinema da Malásia estão surgindo uma série de novos cineastas que não param de repetir o mesmo filme. Mas nas Filipinas o exemplo ainda é melhor: temos que apanhar com mais um filme sobre as favelas!? Já vimos isso no cinema de Lino Brocka, que o fazia tão bem! Não estou dizendo que essa temática secou, mas estou realçando que nenhum outro tipo de histórias é usado. Gostaria de financiar alguém das Filipinas, do Brasil ou das Malásia com vontade de fazer algo diferente

Ilda: Outro bom exemplo é Un Prophète, de Jacques Audiard, que é excelente. Mas mal acabei de assistir o filme pensei que se fosse produtora nunca teria sido apostado nele. Tinha razões para isso: é um guião longo e com temática que ninguém quer ver. A verdade é que o filme é espantoso, cheio de paixão, ação e simultaneamente consegue também ser sexy. Temos de agradecer a quem o produziu. Acho que nunca teria realmente investido nesta história.

Zsuzsanna Király

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