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Página de abertura do sítio > In Focus > ARTE (8 de Outubro de 2009)
In Focus
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ARTE Explorando novos mercados e a mídia digital

 

O “Ano da França no Brasil”, que acontece esse ano, é celebrado no Festival de Cinema do Rio com retrospectivas de duas grandes damas do cinema francês, Jeanne Moreau e Isabelle Huppert. Uma homenagem também é prestada ao canal franco-germânico ARTE, especialmente na divulgação e co-produção de filmes de arte internacionais, que tem sido apresentados em mostras competitivas de prestigiados festivais de cinema em todo o mundo.

Fundado como um canal de televisão público europeu, no âmbito de um acordo entre França e Alemanha em 1991, o canal ARTE tem transmitido programas culturais desde 1992, construindo uma rede de cobertura por meio terrestre e também por satélite (embora ainda não disponível no Brasil). A emissora leva ao ar uma vasta programação de artes cênicas, documentários, filmes, revistas e notícias 24 horas por dia que estão cada vez mais disponíveis na forma de streaming, podcast ou vídeo por encomenda.

Além disso, ARTE se tornou uma marca registrada para financiamento de cinema de alta qualidade. A cada ano, 29,37 milhões de Euros, representando 12% do orçamento total de 365,90 milhões, são gastos e investidos na co-produção de mais de 20 filmes por ano. Os roteiros de ficção são escolhidos por Michel Reilhac, diretor da seção de cinema francês do canal ARTE, e apresentados ao comitê de seleção. Ele diz que as escolhas de roteiros são feitas em três etapas: "Primeiro com base no próprio roteiro, segundo nos trabalhos anteriores do diretor, e por fim é feito um encontro com o diretor e o produtor”. O estilo e a alta qualidade de um roteiro também são aspectos importantes do processo de seleção.

A rigor, o canal ARTE não se envolve diretamente no desenvolvimento de projetos de filmes, mas isso pode ocorrer se o diretor ou produtor solicitarem assistência especializada. O mercado latino-americano e os produtores de cinema são conhecidos do ARTE, já que diversos filmes da Argentina, Chile, Peru, México e Paraguai foram financiados pelo canal, mas o Brasil ainda é um campo a ser explorado mais profundamente. Michel Reilhac, que vem ao Festival do Rio pela primeira vez, está otimista quanto ao potencial do cinema brasileiro: “Eu sinto que há uma nova geração de diretores e produtores brasileiros que estão fazendo filmes interessantes. Há também essa tendência às co-produções, especialmente na América Latina, que oferece uma oportunidade extra para as pessoas daqui.

Com a difusão de novos canais e da televisão via internet, além das mudanças no mercado de cinema, ARTE, como um canal de TV e co-produtor de filmes, enfrenta novos desafios. Michel Reilhac está acompanhando a evolução das novas mídias e suas consequências. A partir de 2010, parte do orçamento do canal será investido no estudo e no apoio a projetos de mídia transculturais. “Na verdade estou convencido que há uma nova dimensão que está apenas começando e precisamos examinar muito cuidadosamente todas essas novas opções que as novas mídias oferecem. Nós precisamos achar respostas para o fato de que muitos filmes independentes não mais encontram acesso às salas de exibição. Assim, os passos futuros do departamento de cinema não vão se limitar apenas a manter a tradição do cinema de autor, mas trabalhar em novas formas de misturar o cinema tradicional e as novas mídias para dar apoio a uma maior recepção junto à audiência e otimizar a natureza artística da narrativa e o impacto visual da mídia sobre ela.”

Zsuzsanna Kiràly

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