
Premiado recentemente como Melhor Filme no Festival de San Sebastian, A Caixa de Pandora é um filme fresco e sutil, verdade obra-prima.
Uma senhora, que vive sozinha num vilarejo na Turquia, desaparece. Seus filhos, já adultos e vivendo em Istambul, voltam ao vilarejo para trazê-la para a cidade e cuidar dela. Sua mãe está claramente perdendo a razão, chegando a urinar no meio da rua num dado momento. A Caixa de Pandora está aberta.
Yesim Ustaoglu permite que seus personagens nos levem naturalmente ao desfecho, que é carregado de significados emocionais, sociais e polÃticos. Mais do que qualquer outro filme sobre vÃtimas de Alzheimer, Ustaoglu mostra, por meio de uma pequena famÃlia, a atual tensão para lidar com os velhos: mantê-los em casa, o que não é fácil, ou colocá-los em asilos como no Ocidente, o que também não é aceitável.
O belo enquadramento da região de Ulus, aliado à interessante utilização de som e silêncios, cria um estilo diferenciado. O diretor é auxiliado por atores talentosos, como a atriz bela, de 90 anos, Tsilla Shelton, que aprendeu turco para fazer o filme. As oposições entre modernidade e tradição, campo e cidade, velhas e futuras gerações, são colocadas numa simples, mas forte, história. A visão da Turquia contemporânea é pertinente, repleta da tÃpica nostalgia turca, de pessoas jogadas numa modernidade que não parece preenchê-las. Usatoglu levanta seus propósitos para algo universal. De maneira inteligente, ela termina o filme encerrando sua tomada panorâmica antes que ela chegue ao céu.
Julien Melebeck